Baby Driver – Em Ritmo de Fuga

Muito burburinho cerca o filme Em Ritmo De Fuga (Baby Driver, 2017) do diretor Edgar Wright,  e com certa razão. O diretor vem de uma leva de filmes com ótimos trabalhos de edição e de delicioso ritmo de acontecimentos. Seus trabalhos permitem que o telespectador receba uma leva considerável de informações e estímulos, feitos de forma ironicamente sutil e que permitem perfeita imersão do telespectador na película. Edgar Wright já realizou projetos destacados com tais características como na “trilogia Cornetto”, junto com a dupla britânica Simmon Pegg e Nick Frost, além do divertidíssimo Scott Pilgrim vs. The World.

Baby Driver - Em Ritmo de Fuga

A bola da vez é o jovem ator Ansel Elgort, que protagoniza o novo trabalho de Wright, tendo no currículo trabalhos sólidos em filmes de sucesso como a franquia Divergente e o filme A Culpa é das Estrelas. Ansel interpreta agora um jovem de nome Baby, “B-A-B-Y”, como insistentemente soletra para aqueles que encaram o nome com estranheza. Baby é portador de um problema de audição, causado por um acidente de carro que influencia totalmente a trajetória do personagem durante o filme –  e que é brilhantemente resumido em poucos minutos. O problema traz a consequência de um contante zumbido em seus ouvidos. Por esse motivo, Baby faz questão de andar sempre portando seus headphones de modo a atenuar o sintoma com música. Sua vida então passa a contar com uma espécie de trilha sonora, que faz com que o protagonista seja um orgulhoso dono de vários Ipods diferentes que compactuam com seus dias e humores. E se sua vida tem trilha sonora, Baby é o diretor da sua trajetória, pautando os momentos da sua vida de acordo com o clima e a batida das músicas. 

Baby Driver

A história do nosso herói, se é que podemos chamá-lo assim, é a mesma contada inúmeras vezes em hollywood: um homem com habilidades que se vê em uma situação delicada e é obrigado a recorrer ao crime para pagar suas dívidas. Nesse caso literalmente dívidas, já que Baby trabalha como piloto do fuga para Doc (Kevin Spacey) a fim de cumprir um pagamento ao chefão do crime – fato que é brilhantemente explicado com sucintas sequências que economizam o precioso tempo do espectador. O elenco que compõe a gangue de criminosos conta com um premiado time de coadjuvantes, sendo eles: John Hamm (o eterno Donald Draper da série Mad Men), Eiza González, Jamie Foxx e uma breve participação, porém importante para a construção do personagem principal, de Jon Bernthal. Destaque pra Foxx que encarna o criminoso Bats, com balanceadas doses de humor e de loucura, personificando um homem completamente imprevisível e perigoso. Aparições especiais também estão presentes na trama, contando com a presença de Flea, ator e baixista da famosa banda Red Hot Chilli Peppers, e dos Atlanta Twins – dupla de irmãos gêmeos da cidade de Atlanta , que têm como único propósito de vida festejar eternamente, e que auxiliam de forma relevante ao colocarem a história no mapa.

(l to r) Buddy (Jon Hamm), Darling (Eiza Gonzalez), Baby (Ansel Elgort) and Bats (JAMIE FOXX) discuss the next heist in TriStar Pictures' BABY DRIVER.

O protagonista Baby ainda conta com uma luta interna que envolve não interferir negativamente na vida de seu pai adotivo – um senhor com problemas de surdez com quem Baby tem comovente relação fraternal. Além do pai adotivo, surge Deborah, interpretada pela belíssima Lily James, garçonete de uma lanchonete em que Baby é cliente assíduo. Sua relação com Deborah, claro, inicia-se pautada na música. Ansel Elgort que já havia esquentado corações com seu charme em A Culpa é Das Estrelas, reforça a atuação mais uma vez contracenando com uma personagem de performance e carisma à altura.

Baby Driver filme

Como era fácil deduzir, a trilha sonora é o ponto forte. Contando com desde o clima frenético e rude da banda britânica de punk The Damned, até os clássicos como a notória canção Hocus Pocus, música peculiar, de toque marcante e atemporal, da brilhante banda  holandesa Focus. Além da trilha direta, Baby ainda compõe o filme com divertidíssimas mixtapes que realiza fazendo gravações de seu cotidiano com um gravador portátil. Curioso, já que o ator que o interpreta também é DJ, tendo feito remixes de músicas famosas e criado material próprio sob o nome artístico de Ansølo.

Baby Driver em ritmo de fuga filme

Por fim, Em Rota de Fuga tem pontos altíssimos marcados com as características do talento narrativo e de edição de Wright. Conta ainda com ótimas sequências de ação. Peca levemente com o frequente pouco aproveitamento dos coadjuvantes, que apesar de apresentarem interessante profundidade, são por vezes “desperdiçados” com constante ausência, ou brevidade de ações. De toda forma, apesar de algumas falhas e um final que que vai e vem e entrega um resultado que pode causar certo estranhamento (apesar das contraditórias sequências com belíssimas fotografias), Em Ritmo de Fuga entrega um produto muito divertido, sendo um ótimo programa de sexta à noite. Vale a pena acompanhar nas telonas as aventuras de Baby, sob a batuta do competente diretor Edgar Wright.

Yago Guedes

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